Síntese da 2ª aula do PA 1 – turma A
Professora: Silvia de Paula
Data: 09/08/2011
Relatora: Patrícia Rocha Claro Capano
Apresentação do Registro Objetivo da Aula nº 01 pela Ana Meri. Não houve a apresentação da Registro Subjetivo, pois a Tânia não estava presente na aula. Tânia encaminhará por e-mail para postarmos o documento no blog.
Iniciamos a aula novamente pelo “Jogo Zapp / Shiva” - para reforçar e gravar os nomes dos colegas, trocar energia, despertar o corpo para o trabalho em cena e para a comunhão.
Exercício “Faça o que o seu corpo desejar...”: iniciamos outra atividade no sentido de realizarmos as ações que viessem à nossa cabeça para movimentar o corpo. A professora colocou diversas músicas, mas os alunos não podiam se basear no ritmo da música para definir suas ações. Após um período, a professora tirou a música e continuamos com os movimentos.
Exercício “Contato com o corpo do outro” – os alunos fizeram movimentos nos três planos (baixo, médio e alto)
Exercícios “Ocupação do Espaço” - os alunos fizeram duplas e deveriam se movimentar ocupando os espaços deixados pelo movimento do corpo do outro. Mudamos 1 vez de dupla. Após um período, cada dupla se apresentou durante alguns segundos e todos ficaram observando.
Análise em grupo do texto “Para uma Ética do Teatro”, extraído do Capítulo XIV da obra de Constantin Stanislavski intitulada “A Construção do Personagem”.
Foram formados 4 (quatro) grupos para discussão do texto. Após algum tempo de discussão, cada grupo apresentou para a classe inteira suas impressões sobre o texto. Um aluno falou em nome de cada um dos grupos. Foram feitos comentários por outros participantes de cada grupo.
O Grupo 1 foi representado por mim, Patrícia. O Grupo destacou que Stanislavski tentou demonstrar em cada um dos “sub-capítulos” do texto as variantes que devem ser consideradas no trabalho do ator, variantes estas que incluem aspectos da Razão e da Sensibilidade do Ator. Estas variantes somadas criam a Arte.
O Grupo 2 foi representado pela Raquel. O Grupo entende que o teatro/arte é um misto, um equilíbrio entre a razão e a sensibilidade. Abordou também os pontos discutidos por Stanislavski no texto.
O Grupo 3 foi representado pela Elaine. O Grupo entende que a Razão pode ser traduzida por vários aspectos: em respeito ao grupo, na preparação de cada ator para estar junto com os outros atores. Deve-se ter em mente que o ator está “aqui” em nome da arte criadora. O ator estando por inteiro e ligado à sua sensibilidade, produz Arte.
O Grupo 4 foi representado pelo Marcelo. O Grupo destacou que o texto de Stanislavski enumera uma série de “requisitos”/”critérios” da razão que o ator deve levar em consideração. A sensibilidade viria por meio da troca, do coletivo, do estar junto e inteiros em cena, da generosidade.
A professora Silvia concluiu a discussão fazendo um apanhado de todos os comentários.
Destacou também que entendia ser o texto do Stanislavski um texto bastante importante. Nos informou que geralmente (até hoje) ela indicava a leitura deste texto para os alunos na parte final do PA1. Neste semestre, no entanto, resolveu mudar e apresentar o texto como pontapé inicial do PA1 para que os alunos tomassem consciência sobre o que o texto versava.
Equilíbro
Razão x Sensibilidade
Arte
Pontos destacados e para reflexão:
(i) a disciplina do ator é necessária;
(ii) é preciso que o ator tenha consciência sobre a sua escolha e como vai agir;
(iii) cada um dá o seu melhor e dá o seu possível. Quais são os seus limites?
(iv) interdependência do desenvolvimento de um ator com o desenvolvimento do outro.
(v) deixe o que está lá fora, lá fora; o ator deve se despir, entrar no ambiente do teatro “sem lamas nos pés”; estar por inteiro naquilo que você escolheu;
(vi) minha ação vai refletir no trabalho e nas ações do outro e no todo;
(vii) Arte: luta pela Vida;
(viii) Arte é você perseverar, lutar contra os fracassos, decepções;
(ix) ganhar consciência; se permitir;
(x) “Dar Satisfação” é você respeitar o tempo do outro para que o outro possa ser organizar; o que resolve? Diálogo;
Exercícios “Verdade Cênica”: Foram colocadas na sala 4 cadeiras e escolhidos 4 alunos por vez para o exercício. A regra do exercício era a seguinte: a professora indicava uma situação e cada aluno deveria sentar nas suas respectivas cadeiras agindo com verdade sobre aquela situação.
Dadas as circunstâncias, cada um demonstrava sua verdade cênica.
Circunstâncias dadas ao 1º Grupo: (i) sala de uma festa; (ii) igreja; (iii) velório;
Circunstâncias dadas ao 2º Grupo: (i) a pessoa está sentada na sala de espera de um consultório de dentista e vê uma pessoa famosa saindo da sala do dentista; (ii) você está numa festa e ao sentar no sofá, percebe que senta em cima de um pedaço de bolo; (iii) sala de espera de um hospital – notícia surpreendente;
Circunstâncias dadas ao 3º Grupo: (i) uma pessoa entra em casa depois de um dia de trabalho e encontra o seu marido/esposa com outro na cama; (ii) você está no ônibus e está com todo o seu salário, em dinheiro, no seu bolso – o ônibus é assaltado;
Circunstâncias dadas ao 4º Grupo: (i) uma pessoa está em sua casa de campo e se depara com um enxame de gafanhoto; (ii) você aprontou na escola e é levado à sala da Diretoria;
Exercício de Improvisação – “A Visita da Velha Senhora” – Preparação de cena
Foram formados 2 grupos e os alunos tiveram cerca de 10 (dez) minutos para improvisar uma cena cujas informações foram passadas pela professora.
Cada grupo se apresentou. Na aula seguinte, as mesmas cenas serão refeitas, mas os alunos deverão levar figurinos e acessórios para compor a cena.
Aula não terminou com nenhuma palavra, pois terminamos a aula um pouco mais tarde.
Informações adicionais:
A proposta de improvisação da aula se baseou no texto “A Visita da Velha Senhora” de Friedrich Dürrenmatt.
Como Bertold Brecht, Dürrenmatt explorou as vertentes do teatro épico. Suas peças visavam envolver o público a um debate teórico, e não somente servir como entretenimento puramente passivo. Quando estava com 26 anos, sua primeira peça, "Está Escrito", (em alemão "Es steht geschrieben"), estreou causando grande controvérsia. A história da peça se passa em torno de uma batalha entre um cínico obcecado pelo sucesso e um religioso fanático que leva as escrituras ao pé da letra, tudo isto acontecendo enquanto a cidade em que vivem está cercada. A noite de estréia da peça, em abril de 1947, causou confusão e protestos por parte do público. Friedrich Dürrenmatt teve repercussão mundial com a peça "O Casamento do Senhor Mississipi", ("Die Ehe des Herrn Mississippi", 1952). Também há a peça "A Visita da Velha Senhora", ("Der Besuch der alten Dame", 1956), que fala sobre um rico benfeitor, que visita seus beneficiados, é o trabalho mais conhecido nos Estados Unidos.
É no ínterim da Guerra Fria que viveu o autor suíço Friedrich Dürrenmatt, e é justamente nessa época que o dramaturgo escreve a peça teatral "Die Physiker" (1962), que vai por em voga os avanços da física em um mundo cheio de pessoas sem escrúpulos, assim como as conseqüências dessas novas descobertas. O autor preocupava-se com o que acontecia no mundo e muitas vezes ele levava essas preocupações para o palco. Quando Hiroshima e Nagasaki foram devastadas pela bomba atômica lançada através da Força Aérea dos Estados Unidos da América, o autor suíço tinha 24 anos, assim ele pode ver o poder que o homem possuía e o quanto isso poderia afetar na vida de todos nós. São justamente essas ações que ele levanta na obra "Os Físicos". É importante dizer que Dürrenmatt fez uma revisão do livro "Brighter than Thousand Suns: A Personal History of the Atomic Scientists" (1956), que discorre sobre o Projeto Manhattan (era um projeto para desenvolver as primeiras armas nucleares pelos Estados Unidos), e isso influenciou os pensamentos do dramaturgo ao escrever a peça citada. Na peça "Os Físicos" o dramaturgo expõe uma situação em que o personagem tentava esconder suas descobertas físicas para o bem da própria humanidade, mas será que esse seria o caminho correto? Pelo visto não, pois as descobertas de Möbius acabam caíndo nas mãos da Doutora Mathilde von Zahnd que apresentava traços de loucura.
Seus pontos de vista sobre o teatro foram escritos no livro "Theaterprobleme" ("Problemas teatrais", 1955).
Bibliografia selecionada
- Es steht geschrieben (1947) (Está escrito)
- Der Blinde (1947) (O cego)
- Romulus der Große (1950) (Romulo o grande)
- Der Richter und sein Henker (1952) (O juiz e seu carrasco)
- Die Ehe des Herrn Mississippi (1952) (O matrimonio do senhor Mississipi)
- Der Verdacht (1953) (A suspeita)
- Der Besuch der alten Dame (1956) (A visita da velha senhora)
- Die Panne (1956) (A avaria)
- Das Versprechen (1958) (A promessa)
- Die Physiker (1962) (Os físicos)
- Der Meteor (1966) (O meteoro)
- Play Strindberg (1969)
- Der Sturz (1971) (A queda)
- Achterloo (1982)
- Justiz (1985) (Justiça)
Trabalhos de Dürrenmatt em película
- It Happened in Broad Daylight (1958, Es geschah am hellichten Tag)
- The Visit (1964, Der Besuch der alten Dame)
- Once a Greek (1966, Grieche sucht Griechin)
- Getting Away with Murder (1970, The Judge and His Hangman)
- Hyènes (1992)
- Justiz (1993)
- The Pledge (2001, Das Versprechen)
- Deadly Games (1982, Trapp)
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_D%C3%BCrrenmatt